Indice del artículo
A VELOCIDADE DAS TIC E A AMPLIAÇÃO DE LIMITES TERRITORIAIS
1. Introdução
2. A poluição das distâncias
3. Ampliação do (ciber)espaço e exclusão de limites territoriais
4. Considerações finais
5.REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
Todas las páginas

3. Ampliação do (ciber)espaço e exclusão de limites territoriais

Assim como McLuhan, Kerckhove descreve a mídia eletrônica como uma extensão, não só do sistema nervoso e do corpo humano, mas também da imaginação e da consciência humanas. O autor observa ainda que, devido a implosão nanotécnica, aparece a crescente e progressiva perda das fronteiras psicológicas entre o eu e o meio ambiente. Como McLuhan e Lévy, ele aponta a Literacia (o império da escrita como modelo social dominante) como a responsável pela 'privatização da mente' e na criação artificial da idéia de um 'eu' individual uniforme. Porém, Kerckhove crê que, com telecracia e agora com as redes audiovisuais, a distinção entre espaço e identidade poderá ruir definitivamente (GOMES, 2010). Wiener (1993: 97) completa dizendo que “o transporte de mensagem serve para enviar, de um a outro confim do mundo, uma extensão dos sentidos do homem e de suas aptidões para a ação”.

A aldeia global, conceituada por McLuhan, se amplifica na era da globalização e imprime uma nova idéia de espaço. Kerckhove (1997: 243) destaca que o homem ao se conscientizar da noção de globalidade, fica mais consciente das identidades locais. “É isso que faz do mundo uma aldeia onde toda a gente conhece toda a gente, [...] que toda gente partilha do mesmo espaço”.

Kerckhove (1997: 244-246) ressalta ainda três características do que seria a tendência atual da globalização que merecem consideração: transparência; instantaneidade e ambientes inteligentes. A primeira característica – transparência – está ligada à distribuição instantânea de informações e ao fácil acesso de todos através dos media. A instantaneidade – segunda característica – impõe aceleração nas sociedades humanas. Esse item tem dois efeitos principais: um é o alcance e o feedback instantâneos e o outro é a eliminação dos períodos de adaptação. O mundo virtual, de estar sempre conectado, desintegra a percepção de tempo e espaço e dispensa os períodos de aquisição e adaptação que aparelhos mais antigos comportavam. A terceira característica diz respeito aos ambientes inteligentes disponíveis no ciberespaço. A possibilidade da criação de avatares (via Second Life e redes sociais virtuais, por exemplo) indica o que autor denomina ambientes inteligentes. Não só estes casos, mas outros como plataformas educacionais praticamente autossuficientes exibem a realidade exposta por Kerckhove.

Em se tratando de limites territoriais, pode-se dizer que essa noção tem sofrido mutações no que diz respeito tanto à fachada quanto ao aspecto de confrontação. Virilio (1993:9) explica que “da paliçada à tela, passando pelas muralhas da fortaleza, a superfície-limite não parou de sofrer transformações, perceptíveis ou não, das quais a última é provavelmente a da interface”. A localização urbana perdeu sua evidência de existir apenas no espaço físico e passou a ser considerada no ciberespaço. Com essa distância física, o autor se preocupa com a falta de existência do contato face a face. Tal contato não é de fato perdido no ciberespaço.

Em uma realidade onde o corpo palpável parece estar se tornando obsoleto em vista da crescente possibilidade de virtualização, Kerckhove (1997) expõe que só é possível existir, na realidade, debaixo da pele e que a interatividade é o tato. Sendo assim, mesmo que as tecnologias sejam extensões do homem, todas elas são interativas, pois estabelecem constantes e íntimas trocas de energia e de dados entre os nossos corpos e mentes e o ambiente global.  
Ela (a informática) tornou-se o ÚLTIMO RELEVO da realidade, uma realidade calculável como o era para os primeiros perspectivistas, a superfície do quadro...uma realidade virtual que oferece a cada um a extrema vontade de ser ao mesmo tempo mais ‘real’ que a imaginação e mais controlável que a realidade concreta (VIRILIO, 2000: 96).

Conforme Kerckhove, na era do livro o controle da linguagem era privado, mas com os media eletrônicos o controle da linguagem se torna público e oral. A Internet é o primeiro meio que carrega o oral e o escrito, o privado e o público, individual e coletivo ao mesmo tempo. Quando o autor expôs suas idéias, ele afirmava que a Internet estava se tornando uma estrada de informações e como expressão da mente coletiva, a Internet era mais sofisticada do que se conhecia até o momento.

Ao avaliar a Internet como ocupante de um importante espaço na vida dos seres humanos, concorda-se com Kerckhove (1997: 252) quando o autor afirma que a Internet está se tornando uma espécie de lar para um número cada vez maior de pessoas. Com a conectividade, segundo o autor, o espaço da Internet está vivo com uma presença vibrante, humana e coletiva.