Indice del artículo
“Veja-me!”: visibilidade e reputação em redes sociais como estratégias de comunicação e incentivo para alunos de Publicidade
1. Introdução
2. A concorrência como prática educacional: aspectos de motivação e incentivo
3. Capital social, visibilidade e reputação
4. Resultados da pesquisa
5. Considerações finais
BIBLIOGRAFÍA
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4. Resultados da pesquisa

Treze equipes fizeram sua inscrição na concorrência, totalizando 60 alunos, e 43 deles (nove equipes) apresentaram suas propostas à comissão julgadora. Após o término do processo, realizou-se uma pesquisa quantitativa com os alunos para identificar sua opinião sobre a concorrência e verificar se as ações de divulgação dos inscritos realmente haviam contribuído para a adesão.

A pesquisa foi aplicada via formulário do Google Docs. O link foi enviado para o email do Grupo CSF e ficou disponível por 10 dias. A participação era voluntária e anônima; 25 alunos responderam, representando 58% dos que efetivamente participaram da concorrência.

Perguntados sobre como ficaram sabendo da concorrência, 73% indicaram o email do CSF no Google Groups, reiterando a importância e a credibilidade deste canal de comunicação entre professores, alunos e a coordenação.

Para identificar os motivos que levaram os alunos a participar da atividade, foram apresentadas sete alternativas fechadas, relacionadas aos fatores previstos: nota, horas complementares, premiação, reconhecimento dos colegas e professores, oportunidade de trabalhar em uma campanha, desejo de integração, pressão dos colegas. Havia também um espaço aberto, para que os alunos colocassem outro motivo não descrito.

Nesta questão era permitido marcar até três alternativas. O principal motivo selecionado foi “oportunidade de trabalhar em uma campanha publicitária”. Esta também foi a única opção marcada por 20% dos pesquisados, mesmo com a possibilidade de apontar outros motivos, mostrando um alto grau de motivação e vontade de realizar esta atividade.

A efetividade da ação de divulgação como incentivo foi mensurada em duas outras questões. Primeiro, os alunos deveriam responder se tinham acompanhado a divulgação das equipes inscritas, e por qual meio - Twitter, emails do Grupo CSF ou ambos. Todos responderam que sim, pelo email do Grupo. O Twitter não foi mencionado, mostrando-se irrelevante nesta situação.

Em seguida, foram questionados se a divulgação teve influência na motivação das equipes, e por quê, com espaço para resposta aberta. A maioria (19 alunos, ou 73%) respondeu afirmativamente e, destes, 11 relataram motivos, sendo oito respostas oriundas dos que se disseram influenciados. Os motivos principais foram a curiosidade em conhecer o trabalho de outras equipes e a comparação com elas; o receio de ficar de fora; mais equipes, mais entusiasmo; e senso de competitividade (cinco respostas).

Quanto aos que responderam “não”, o motivo foi o mesmo: disseram que já estavam motivados, que sua participação não dependeu da divulgação.

Sobre a satisfação com a concorrência, todos os pesquisados gostaram de ter participado. Destes, 56% “gostaram muito”.

4.1. Análise dos resultados

Pelo depoimento dos alunos, muitos assumem que a divulgação das equipes contribuiu para a decisão de participar da concorrência. Apesar dos diferentes motivos citados, todas as respostas afirmativas sobre a influência estão relacionadas ao comportamento do outro, reiterando a noção de reputação abordada antes: os atores decidem seu comportamento a partir de informações recebidas sobre o comportamento dos demais.

Retomando os conceitos de cooperação, competição e conflito, percebe-se que a competição foi capaz de gerar cooperação. A competição é citada num contexto positivo, promoveu adesão. Se não houvesse participantes, ou se não estivessem satisfeitos com sua participação, a concorrência não teria sido bem sucedida.

E sobre os conceitos de necessidade, motivação e incentivo, vê-se que a visibilidade proporcionada pela divulgação das equipes realmente constituiu um incentivo importante, mas a motivação já existia.

Um dado inesperado foi a pouca representatividade do Twitter na divulgação da concorrência e dos inscritos. Empiricamente, sabe-se que alguns dos alunos mais atuantes no evento possuem perfil nesta rede social e que se comunicam frequentemente com os professores e colegas por meio dela. Uma das hipóteses para a pouca representatividade é a própria dinâmica do microblog, de atualização constante. Se as postagens foram feitas durante o período em que não têm acesso – tarde da noite, ou quando estão no trabalho –, provavelmente não viram as atualizações.

Outro fator pode ser a diferença entre redes sociais de filiação e as emergentes. Enquanto as primeiras se baseiam na estrutura disponibilizada pelo sistema, as outras  decorrem da conversação entre os atores, são vivas e são apropriadas para ajudar a manter as redes sociais pré-existentes (Recuero, 2009c). Neste sentido, o Twitter seria um exemplo do primeiro tipo, e o Grupo CSF do segundo. Como defende-se que o Google Groups foi apropriado como um site de rede social, não sendo originalmente essa a sua função, pode ser que as conversações que emergem desta rede tornem os laços mais fortes do que aqueles na rede de filiação, aumentando também o capital social, as condições de visibilidade e, consequentemente, a reputação dos atores.

4.2. Uma articulação com a sociossemiótica: aspectos do regime de visibilidade

Nos seus estudos sobre sites de redes sociais, Raquel Recuero (2009c) leva em conta a interação entre os atores e a qualidade de suas conversações. Existem aí, portanto, os elementos necessários para que se analise o discurso do site de rede social Grupo CSF a partir da proposta sociossemiótica de Eric Landowski, considerando o discurso como espaço de interação:
em vez de encarar a linguagem como o simples suporte de ‘mensagens’ que circulam entre emissores e receptores quaisquer, fazendo-se abstração de suas determinações próprias (cf. a teoria da informação), procurar-se-á, antes de mais nada, captar as interações efetuadas, com a ajuda do discurso, entre os sujeitos ‘individuais ou coletivos que nele se inscrevem e que, de certo modo, nele se reconhecem (Landowski, 1992: 10).

Nesta obra, Landowski aborda o “regime de visibilidade dos atores sociais em suas diferentes funções” (1992: 86). Seu ponto de partida é a comunicação política; sua proposta, a de reexaminar o problema das fronteiras entre vida pública e vida privada. Se isso já era pertinente no final de década de 1980 (época da publicação original, em francês), imagine hoje.

Landowski começa alertando que tanto o individual como o coletivo têm seus aspectos de público e privado (1992: 86-87). As interações realizadas entre os atores do Grupo CSF são um bom exemplo de aspecto privado de um coletivo, onde ocorre “um conjunto de práticas discursivas decorrentes da interioridade e do segredo do grupo” (1992: 87). As mensagens trocadas no interior do grupo não constituem exatamente um segredo, mas são internas e de interesse particular deste grupo. E, continuando, “dado que colocamos, ao começar, a questão das relações entre o ‘privado’ e o ‘público’ em termos de regimes de ‘visibilidade’, é em torno da sintaxe do ver que vai se orientar nossa busca de estruturas elementares” (1992: 88).

Nesse regime de visibilidade, tem o que vê e o que é visto. Para estudar as relações entre esses dois sujeitos, também se deve levar em conta a volição, o “querer” de cada um. Portanto, entram em cena o /querer-ver/ e /querer-ser visto/, e o /não querer-ver/ e o /não querer-ser visto/.

Dentre as diversas combinações feitas por Landowski entre essas posições, uma delas parece homologar-se aos aspectos de visibilidade e reputação analisados logo antes. No diagrama (figura 1), considera-se os modos de apresentação de um dos sujeitos da interação, ou seja, daquele que quer ou não ser visto2.



Figura 1: Modos de apresentação de si
Fonte: Adaptado de LANDOWSKI (1992: 92)

Ao fazer sua inscrição na concorrência, a princípio os alunos não tinham a intenção de ser vistos no site da rede social CSF, caracterizando uma privatização do seu papel público. A partir do momento em que as inscrições (privadas) foram “publicizadas”, os alunos passaram para uma modalização de /não querer não ser visto/, pois essa publicização gerou visibilidade e reputação para os inscritos.

O “fazer ver” pode ser realizado tanto pelo sujeito em si (reflexivo) quanto por um
elemento externo (transitivo), aquele que joga luz, dá a visibilidade. Neste caso, a divulgação das equipes inscritas nos emails enviados caracterizam um “fazer-ver” realizado pelo professor. Funcionando como destinador, ao oferecer visibilidade, o professor realiza um “fazer persuasivo” sobre os alunos, à maneira da sedução, através de uma concepção positiva da imagem deste sujeito coletivo (Barros, 1999: 33). A mensagem é mais ou menos assim: “se você se inscrever na concorrência, eu faço os outros terem um saber positivo sobre você, divulgando sua participação”. O sujeito coletivo alunos, por outro lado, realizou um fazer interpretativo de crença no destinador, participando da concorrência e obtendo seu objeto de valor: reputação.