Indice del artículo
Avatar, Janelas e Cavernas de Bolso
Introdução
2. Forma Cinema e Dispositivos
3. Avatar: Remediação e Convergência
O blog e as transnotícias
5. Referências bibliográficas
Todas las páginas

4. Conclusão

No momento em que as imagens, sons e performances dos atores são registrados em forma de dados e/ou convertidas em código, ocorre uma transformação da própria natureza deste material. 

Segundo Manovich (2000:49), estas características começam com a transformação do material em números, especificamente o código binário. Este processo faz com que cada pedaço de informação se torne independente do todo, permitindo possibilidades infinitas de combinação entre as partes que anteriormente eram unas e difíceis de modificar. As características matemáticas da informação digital permitem que ela seja alterada com facilidade e em massa, já que algoritmos trabalham com números de maneiras muito eficientes.  Do mesmo modo, os processos de reprodução se tornam mais práticos em relação ao suporte não-numérico original, inclusive permitindo a produção de múltiplas versões finais da mesma coisa sem grande esforço. E a existência da informação em código também facilita sua circulação e interpretação em uma multiplicidade de suportes que tenham esta base numérica como alicerce, no caso, o computador pessoal.

Embora isto seja verdade para qualquer suporte que tenha recebido o adjetivo ‘digital’ nos últimos 10 anos, as consequências são especialmente visíveis no cinema. O suporte digital comum permite uma visão diferente da idéia de cinema expandido proposta por Youngblood, citado por Machado (1997: 56),

pela qual se assimila ao universo do cinema experiências que se dão no âmbito do vídeo e da informática, bem como experiências híbridas que se dão nas fronteiras com o teatro, com a pintura e com a música.

Porém, Youngblood (1970:59) afirma que “entretenimento comercial motivado por lucros não pode, por sua própria natureza, prover esta visão.” Aparentemente, o que ocorre foi justamente o contrario, já que a indústria do entretenimento utilizou, e utiliza uma multiplicidade de ferramentas para fazer seu material circular entre diversos dispositivos. O cinema expandido foi cooptado de ferramenta de expansão da consciência humana através da arte para mais uma arma da indústria para aprimoramento do consumo.

Assim, finalizamos com a idéia de que as novas tecnologias de imagem subvertem a idéia inicial que foi proposta pela alegoria da caverna. Nesse aspecto, as tecnologias de imagem-número da última década nos libertam do cinema-caverna das regras, das pessoas amarradas e do “lanterninha” como o prisioneiro que escapou, e cuja presença ameaça destruir os sonhos propostos pelas sombras. É curioso pensar que estes podem ser vistos, neste início do século 21, em pequenas cavernas que guardamos nos bolsos ou na mochila, que encerram minúsculas sombras dentro delas e que nos iludem da maneira quisermos e no momento em que o desejarmos. Ao invés de grupos de prisioneiros, temos pequenos sonhos individuais, que cedemos, como gentilezas, a amigos e a estranhos.