Indice del artículo
Avatar, Janelas e Cavernas de Bolso
Introdução
2. Forma Cinema e Dispositivos
3. Avatar: Remediação e Convergência
O blog e as transnotícias
5. Referências bibliográficas
Todas las páginas

2. Forma Cinema e Dispositivos

Quando pensamos na palavra cinema, provavelmente a primeira idéia que vêm à mente é o ritual da sala: se aprontar, sair de casa para um shopping, chegar ao cinema e enfrentar tanto a fila como a barragem de propagandas relativas aos próximos lançamentos, entrar numa sala escura com uma porção de gente que não conhecemos, e assim por diante. Essa “forma cinema” de consumo de imagens não é a única maneira de se ir ao cinema, mas um modo de utilização que, por uma série de motivos sociais, tecnológicos e comerciais, se tornou hegemônica. Não é necessariamente o correto, nem tampouco o único, e muito menos o primeiro, modo de se consumir imagens em movimento, como é comentado por Parente (2009:25).

Na virada do século passado, contemporaneamente ao cinema, havia múltiplas formas de consumo de imagens em movimento. Embora os irmãos Lumiére tenham feito sua primeira exibição da projeção de cinema naquele café em Paris em 28 de novembro de 1895, eles ganharam o crédito sobre algo que na verdade foi um processo de múltiplos criadores.  Por exemplo, existia o Vitascópio inventado por Thomas Armat e Franken Jenkins, e o Quinetoscópio de Edison.  

Porém, cada dispositivo tinha sua própria forma de uso. Para alguns, exigia uma fruição solitária, como o Vitascópio. Outras técnicas exigiam que uma alavanca fosse girada com a mão e as imagens fossem vistas através de frestas, o que gerava ângulos de olhar fechados, específicos, além de posicionamentos de corpo, como acontecia com a Rotoscopia. Essas são características particulares de cada dispositivo, como argumenta Deguet, todo dispositivo

Visa à produção de efeitos específicos. De início, esse “agenciamento dos efeitos de um mecanismo” é um sistema gerador que, a cada vez, estrutura a experiência sensível de maneira específica. Mais do que uma simples organização técnica, o dispositivo põe em jogo diferentes instâncias enunciadoras ou figurativas e implica tanto situações institucionais quanto processos de percepção (Deguet, 2009:55)

A partir do momento em que o material se desprende da tela grande para outro dispositivo, certas categorias do sensível são renegociadas, modificadas, criadas ou apagadas. O que temos observado é a aplicação dessa idéia aos artefatos de fruição de imagem nesta primeira década do século XXI, com o detalhe de que por vezes a mesma imagem é passada ao mesmo tempo por múltiplos artefatos, ou múltiplos artefatos são usados para gerar um único produto final. É esta influência sobre a experiência sensível imposta sobre um conhecimento prévio, a imagem, que queremos abordar neste trabalho. Para tanto, observaremos as múltiplas versões do filme Avatar, criado para ser visto em telas de cinema com tecnologia de óculos 3d.