Indice del artículo
Jornalismo de bolso: a produção de notícias para a blogosfera a partir de telefones móveis
Introdução
2. Reflexões sobre a blogosfera
3. Jornalismo Transmídia
O blog e as transnotícias
5. Considerações
BIBLIOGRAFÍA
Todas las páginas

2. Reflexões sobre a blogosfera


A comunicação, no que tange espaços para difusão de conteúdo, ganhou um novo aporte desde a web 2.0, em especial com os blogs e o YouTube, graças à criação de canais comunicacionais particulares, mas também abertos ao público em geral. A partir dessa arquitetura comunicacional é possível que uma pessoa ou grupo possa ter seu próprio canal de comunicação, com layout específico e uma oferta de conteúdo de acordo com seus interesses e necessidades.

Mas este novo espaço também mudou o modelo dos visitantes como usuários ou participantes, ao apresentar a possibilidade de intervir nas discussões dos conteúdos, que resulta na interatividade. Através desta, há uma participação envolvida com os interesses dos grupos de interessados, que acabam por reconduzir as discussões.
Outra possibilidade com este novo suporte tecnológico tem sido a exibição ou criação de canais audiovisuais pessoais, institucionais ou por grupos na rede, que permitiram criar seus espaços e exibir seus conteúdos sem custo nenhum, ou seja, sem ter que criar um espaço virtual com sua própria tecnologia. Uma destas possibilidades está no YouTube, onde é viável criar um canal de exibição sem custo e relacionar os vídeos aos blogs, ou seja, os grupos podem criar uma mensagem hipermídia, com narrativa horizontal e com a possibilidade de interatividade, assim como a oferta de uma construção de programação para os usuários, de acordo com as idéias de Vilches (2003) sobre a “nova televisão” com a migração digital, onde as pessoas querem criar seus próprios conteúdos ou programações.

A blogosfera é a linha de uma nova realidade para as produções pessoais, independentes. Sem dúvida, com os espaços virtuais abertos pela blogosfera e a rede de comunicadores oferece uma maior difusão das produções, assim como as idéias desenvolvidas por eles. Com este olhar, é possível crer que a blogosfera é responsável por um novo cenário audiovisual no mundo, pois agora é possível criar um espaço e difundir suas obras e abrir a possibilidade para os comentários e avaliações dos que se interessem por estas obras.

Mas isto só é possível graças à web 2.0, que apresentou a possibilidade de ter uma maior condição de interatividade e participação na elaboração de conteúdo para a Internet. Estes conteúdos são produzidos pela sociedade que se organiza de acordo com seus interesses em comum, o que Castells (1999, p.566) define como “Sociedade em rede”.

Redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho).

Estas redes são criadas de acordo com os desejos de seus usuários envolvidos, que desenvolvem seus conteúdos digitais, proporcionados pelas novas tecnologias, que agora possibilitam a participação direta dos usuários nos processos de produção. É uma característica da sociedade pós-moderna, que agora quer uma participação nos processos comunicacionais.

Esta condição de desejo pela produção de conteúdo comunicacional ganha força quando estes produtos são audiovisuais. De acordo com Vilches (2003), a sociedade atual tem como característica fundamental a decisão de assistir os conteúdos desejados, a construção de sua programação pessoal, de acordom com suas aspirações e gostos. Isto amplia a força de sites como o YouTube, que é a preferência de muitos jovens ao ter que optar entre a Internet e a televisão, de acordo com Renó (2007).

A linguagem audiovisual é, dentre todas as linguagens disponívels para a web 2.0 e pela blogosfera, a melhor, pois apresenta uma maior proximidade com a realidade, por sua imagem em movimento, com sons, com efeitos presentes nas comunicações desde a criação do cinema. E com o desenvolvimento da web 2.0, agora é possível fazer uma repercussão de um acontecimento por si mesmo, o que amplia a participação da sociedade neste processo, não somente dos jornalistas ou repórteres. Graças à web 2.0 foi também possível ampliar os espaços de difusão pela rede, e agora a televisão não é mais a única opção.

Um importante espaço de encontro entre usuários está localizado nas diversas redes sociais desenvolvidas, especialmente o Facebook e a blogosfera, inclusive o microblog Twitter, que possuem pertinente difusão e oferecem recursos diversos para sua utilização. Estes espaços, denominados não-lugares por Augé (2007), são o ponto-de-encontro dos grupos de imigrantes. Também é fundamental para esta análise a observação do conteúdo dos blogs com relação à transmídia, que para Jenkins (2009, p.384) se explica como:

Histórias que se desenrolam em múltiplas plataformas de mídia, cada uma delas contribuindo de forma distinta para nossa compreensão do universo: uma abordagem mais integrada do desenvolvimento de uma franquia do que os modelos baseados em textos originais e produtos acessórios.

As redes sociais possuem como características a customização do ambiente, seja no visual ou nas informações. A utilização de espaços para postar fotografias também é frequentemente utilizado, pois desta forma o ambiente fica com o aconchego da sala de visitas de uma casa, ou seja, com os principais registros fotográficos em exposição. Porém, os recursos seguem adiante, como a publicação de vídeos e o desenvolvimento de diálogos entre os amigos virtuais, ampliando ainda mais a sensação de um lugar real virtual (AUGÉ, 2007).

Dan Gillmor (2005) define a sociedade contemporânea, quando possui endereço na blogosfera, como os detentores da mídia. A partir da possibilidade de construir um endereço virtual na blogosfera, o usuário deixa de ser receptor e passa a ser emissor. O leitor, por sua vez, assume o papel de colaborador, ou coautor do conteúdo (RENÓ, 2010). Dessa forma, o leitor também é detentor da mídia.