Indice del artículo
Colocando em prática o Jornalismo Comunitário: expectativas e desafios
Introdução
2. Realidade brasileira e comunicação de massa
3. Jornalismo Comunitário: o que, por que e para que?
4. Colocando em prática
5. Considerações finais
BIBLIOGRAFÍA
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3. Jornalismo Comunitário: o que, por que e para que?

Considerando o exposto, uma das alternativas na visão de estudiosos e pesquisadores para a democratização da informação e da comunicação no Brasil tem raízes no Jornalismo Comunitário que, apesar do ensino pouco difundido nas escolas de Jornalismo do País, pode significar uma segunda via para uma democratização do acesso à informação. Guareschi  afirma que as universidades deveriam ter mais interesse por esse segmento da imprensa, propondo maior estudo sobre a comunicação de bairro. Com a colaboração dos estudantes de jornalismo, o autor afirma que esses periódicos comunitários teriam melhor apresentação e o conseqüente reconhecimento da comunidade em que está inserido. Guareschi lembra que “não se pode ser cego, surdo e mudo socialmente falando”, e que todo ator social possui uma responsabilidade ética, especialmente no que diz respeito à comunicação. “O papel da universidade na sociedade é mostrar que ela é o local onde se reflete a dimensão humanista e crítica, e onde se deve, desenvolver a pesquisa científica” (Guareschi, 2003: 11-12)

Entende-se por Jornalismo Comunitário  aquele jornalismo que se dedica ao relato de fatos que atendem às demandas de determinada comunidade. É através do Jornalismo Comunitário que se busca resgatar a identidade individual e coletiva da sociedade na qual determinada comunidade está inserida. É a busca constante pela valorização da cultura local, de uma coletividade, a partir da noção de pertença do indivíduo à determinada comunidade. O Jornalismo Comunitário é a oportunidade de proporcionar aos indivíduos uma cidadania no sentido de poder exercer seu direito a uma comunicação ativa  e não apenas passiva  como acontece, via de regra, nos meios de comunicação de massa tradicionais e na grande mídia nos quais os cidadãos são representados, em grande parte, como indivíduos anônimos.

Sendo assim, o cidadão, ao ser inserido em um sistema de comunicação comunitária tem condições de participar de maneira ativa do processo de construção das notícias, da prática redacional à publicação de determinado veículo comunitário. Essa práxis conduz, cada vez mais, à produção de conteúdos que vão garantir um estreitamento entre o público leitor e a produção das informações. Essa sem dúvida é uma forma de garantir maior reciprocidade entre o veículo e a comunidade de forma que esta se veja representada naquele. A prática do Jornalismo Comunitário só é possível se o jornalista que se destina ao trabalho de comunicação comunitária tiver a sensibilidade e os olhos voltados para a comunidade, para os fatos que realmente têm importância para aqueles indivíduos que compõem a comunidade.

No Brasil, o Jornalismo Comunitário se difundiu principalmente a partir dos anos 70 e 80 coincidindo com o período ditatorial, no qual as liberdades individuais perdem importância na modernidade líquida citada por Bauman  e Berman . Mesmo assim, são poucas as faculdades de Jornalismo brasileiras que dedicam tempo em suas matrizes curriculares ao ensino do Jornalismo Comunitário.

Deste modo, como professora da disciplina Jornalismo Comunitário, entendi ser necessário sensibilizar os alunos do curso para a prática dessa atividade. Sensibilização que em dois semestres já rendeu bons frutos na aplicabilidade dos conhecimentos de alunos graduandos  e graduados  que poderão contribuir com uma comunicação mais democrática, acessível e cidadã no Brasil rompendo os duros obstáculos da comunicação democrática historicamente conhecida no País.