Indice del artículo
Colocando em prática o Jornalismo Comunitário: expectativas e desafios
Introdução
2. Realidade brasileira e comunicação de massa
3. Jornalismo Comunitário: o que, por que e para que?
4. Colocando em prática
5. Considerações finais
BIBLIOGRAFÍA
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2. Realidade brasileira e comunicação de massa

No Brasil, o meio de comunicação mais hegemônico em termos de audiência é a televisão. Mesmo com o avanço nas políticas públicas relativas à democratização do acesso à internet e o considerável aumento do número de brasileiros com acesso à internet banda larga, a televisão continua sendo o meio de comunicação que lidera o ranking de audiência. Isso pode ser explicado também pela ampliação do acesso dos telespectadores, considerando que a televisão não exige conhecimentos específicos para que seja consumida enquanto meio de comunicação.

É válido lembrar que, no Brasil, existe uma herança colonial que se estende até os dias atuais e que caracteriza a propriedade dos meios de comunicação estabelecendo relações de promiscuidade com políticos e empresários. Essa relação é observada por Ramos  e Lima  principalmente na radiodifusão, o que não exclui também uma concentração de propriedade na mídia impressa e eletrônica . É o que os dois autores chamam de “coronelismo eletrônico”.

Para Lima, o principal fator que têm contribuído para a concentração da propriedade das comunicações de massa no Brasil se dá pelo descumprimento da normal legal (Decreto 236/67) que limita a participação societária do mesmo grupo nas empresas de radiodifusão a cinco concessões em VHF, em nível nacional, e a duas em UHF, em nível regional (estadual); o período de carência legal para venda das concessões de radiodifusão, isto é, para a troca legal de proprietários, é de apenas cinco anos e, mesmo assim, sabe-se que existem vendas antecipadas por meio da conhecida prática dos chamados "contratos de gaveta".

Por outro lado, a pesquisa “Rádios comunitárias: coronelismo eletrônico de novo tipo (1999-2004)”, divulgada em junho, revela dado preocupante quando aponta que 50% das emissoras autorizadas a funcionar pelo Ministério das Comunicações têm vínculos com políticos. O levantamento foi feito por Venício A. de Lima e Cristiano Aguiar Lopes, partiu da hipótese de que as rádios comunitárias se transformaram em instrumento de barganha política, configurando a prática de “coronelismo” .

Deste modo, conclui-se em um primeiro momento, que a mídia brasileira – principalmente a radiodifusão – está, de todos os modos, cercada por interesses que, definitivamente, não são os de informar com vistas ao interesse público, muito menos, está comprometida com a democratização do acesso à informação. O comprometimento que se tem observado na mídia brasileira quase sempre é com a troca de favores entre políticos, garantindo em alguns casos, cenários de consolidação política permanente .